Como Levar Meu Avô P'ro Céu - 2021
Direção: Thairo Meneghetti e Wanderson Lana
Texto: Wanderson Lana
Produção: Edilene Rodriguez e Kiko Sontak
Produção Executiva: Thairo Meneghetti
Diretor de Fotografia: Duflair Barradas
Trilha Sonora Original: Marcello Amaufi
Montagem: Dener Gonçalves
Direção de Arte: Edilene Rodriguez e Kiko Sontak
Som: Yuri Kopcak
Elenco: Giovanna Campos, Edilene Rodriguez, Amauri Tangará, Denisvan Souza Costa, Marta Gonçalves Pantaleão, Wanderson Lana e Thairo Meneghetti
Fotos: JP Pratti e Vizali Films
Sinopse:
O curta fala sobre o amor de um avô e sua neta no início da pandemia da Covid 19 numa pequena cidade do interior de Mato Grosso, em que as informações demoram a chegar. É nessa comunidade que vivem Juliana e seu avô, que infelizmente está muito doente. Diante do pior cenário, ele prepara a neta para sua ausência, apostando na beleza do imaginário infantil para o enfrentamento da perda. Para isso, o último pedido feito pelo avô é um tanto quanto inusitado: Juliana precisa encontrar um saci e pedir que seu avô se transforme em estrela ou passarinho, para assim chegar ao céu.
Entrevista com Thairo Meneghetti - Diretor do curta metragem Como levar meu avô p'ro céu.
Como nasceu a ideia do curta-metragem?
A ideia surgiu durante a pandemia, quando editais emergenciais para curtas foram lançados pela Secretaria de Estado de Cultura. Já integrando o Faces Jovem e com interesse no audiovisual, coloquei meu nome para inscrever um projeto, mesmo sem roteiro definido. Então lembrei do texto "Como levar meu avô p'ro céu", de Wanderson Lana, que conheci no projeto Cinema no Mato, em 2013. Foi daí que nasceu o desejo de regravar uma obra pela qual tenho grande carinho.
Qual é a história do filme?
É a história de uma neta que tem um amor muito grande por seu avô. O avô está no leito de morte, com Covid, numa cidade em que a informação não costuma chegar tão rápido. Ele acaba adoecendo e, como eles são muito apegados, ele lança um desafio para a neta. Por sempre ter tido esse contato com histórias e lendas, ele diz que, para não desaparecer — para virar uma estrela no céu — ela precisa capturar o Saci-Pererê e pedir para que ele se torne uma estrela. Dessa forma, ele irá para o céu como estrela e eles sempre estarão em contato: ele no céu e ela na terra.

Como foi a recepção do curta pelo público?
"Como levar meu avô p'ro céu" é uma obra cinematográfica que trabalha um assunto muito triste a partir de uma perspectiva muito sensível, que é a infância. Então acaba conectando muito o público com a obra. Temos sempre um feedback muito bom, de muita emoção e de pessoas se identificando com o filme, lembrando de pessoas queridas que infelizmente se foram em decorrência da pandemia da Covid-19.

Como você vê o movimento de produzir cinema no interior? Como está esse movimento em Primavera do Leste?
Sou muito grato ao companheirismo dos fazedores de cinema de Primavera do Leste e do interior do estado — estamos sempre nos ajudando nos projetos uns dos outros. Fazer cinema no interior é desafiador, sobretudo pela falta de recursos. "Como levar meu avô p'ro céu" só foi possível graças ao edital MT Nascentes, da Secel, com recursos da Lei Aldir Blanc.
Nossa forma de fazer cinema carrega muito do teatro: mesmo com funções definidas, todos colaboram para que o filme aconteça. Também seguimos articulados na construção de políticas públicas para fortalecer o cinema no interior do estado.
Para terminar: que mensagem você deixa para quem está começando agora no audiovisual e sonhando em fazer seu próprio caminho no cinema?
Para não desistir. O audiovisual é algo difícil, que leva tempo e dedicação, mas acontece — é só não desistir. É algo que exige persistência. Se tiver alguma ideia, vá anotando, pensando no roteiro, na planilha de recursos. Estude bastante. Pode demorar, mas não desista. Pode demorar, mas vai acontecer.



